Primeiro vibrador da História era terapêutico e movido a vapor. Conheça a história do objeto
Marcel Verrumo 22 de agosto de 2012
Nada de erotismo. O
primeiro vibrador da História estava bem longe de ser um “brinquedinho”
sexual: era um objeto prescrito por médicos para curar uma doença mental
feminina, a histeria. Ficou curioso, né? O filme Hysteria contou as curiosidades da invenção desse objeto. E o História sem Fim mostra como os vibradores saíram dos consultórios médicos e foram parar
na sua gavetanas vitrines dos sex shops.
Acalmando os ânimos
Durante o século XIX, a ansiedade, a irritabilidade e a insônia eram
reclamações frequentes de mulheres em consultórios psiquiátricos. Entre
os médicos, o diagnóstico mais comum era de histeria, uma doença
psíquica. Para curar a enfermidade, era preciso acalmar o ânimo da
mulherada. O primeiro conselho dado às casadas era animar a relação com o
marido, pedindo que ele fizesse carinho na sua vagina… com as mãos! Se
não desse certo, o tratamento às casadas era o mesmo oferecido às
solteiras: massagem vulvar. Feita pelo próprio médico.
Reprodução
Com as mãos, o médico massageava o clitóris da paciente até ela
atingir o orgasmo e ficar mais calma. Era um procedimento comum e
profissional. Difícil não imaginar besteira, né? Mas os doutores juravam
que não tinha nada de sexual nisso. Era como o exame de próstata
realizado hoje nos homens: põe a mão, mas sem segundas intenções.
O problema é que algumas mulheres necessitavam de massagens que
duravam horas. E os médicos ficavam com os dedos “ocupados” o dia todo.
Para aliviar as mãos desses profissionais e as dos maridos, em 1869 o
médico norte-americano George Taylor patenteou o primeiro vibrador e o
batizou de
The manipulator. Nada de pilha, bateria ou
eletricidade: o primeiro vibrador era movido a vapor. Alguns anos
depois, em 1880, apareceu o vibrador movido a manivela, inventado pelo
inglês Joseph Mortimer Granville.
O primeiro vibrador elétrico só começou a ser comercializado no século XX, em 1902, pela empresa norte-americana
Hamilton Beach, especializada
em equipamentos de cozinha. Enfim, o remédio para curar a histeria
feminina poderia ser levado para dentro dos lares.
Item de utilidade doméstica

Mesmo tendo se tornado um objeto doméstico, até os anos 1920, os
vibradores não eram brinquedos sexuais. A publicidade da época,
inclusive, anunciava as várias utilidades do produto – e nenhuma delas
era erótica. Mas nos anos seguintes, os vibradores começaram a ser
utilizados em filmes pornográficos e a sua imagem ganhou uma conotação
sexual. Aos poucos, os brinquedos foram sendo proibidos pelos maridos e
as propagandas em revistas e jornais começaram a desaparecer. O remédio
virou fetiche.